Publicado em
25/06/2024
| Atualizado em
18/07/2024
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A Lei Anticorrupção, oficialmente denominada Lei nº 12.846/2013, é uma legislação brasileira sancionada em 1º de agosto de 2013, com o objetivo de responsabilizar empresas e outras entidades por práticas de corrupção cometidas em seu benefício.
A Lei Anticorrupção é um marco importante para empresas que buscam operar de maneira ética e transparente. Mas você sabe no que essa lei realmente implica? Como ela surgiu e quais são suas principais disposições? Continue a leitura e vamos entender os pontos essenciais sobre a Lei Anticorrupção!
A Lei Anticorrupção brasileira, sancionada em 2013, é uma legislação que visa responsabilizar empresas por atos de corrupção cometidos em seu benefício. Diferente de outras leis, que focam principalmente em punir indivíduos, a Lei Anticorrupção coloca as empresas no centro da responsabilidade, impondo penalidades severas para práticas corruptas.

A criação da Lei Anticorrupção foi motivada por uma série de situações de corrupção que impactaram o Brasil nos últimos anos. Antes de sua implementação, o Brasil enfrentava dificuldades para punir adequadamente empresas envolvidas em atos corruptos.
Sob essa dificuldade, o governo se baseou em legislações internacionais, como o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) dos Estados Unidos e o UK Bribery Act do Reino Unido, criando a Lei Anticorrupção que reforça a integridade no setor corporativo brasileiro.
A Lei Anticorrupção prevê punições para diversas condutas ilícitas, incluindo:
Suborno: Oferecer ou prometer vantagem indevida a agentes públicos.
Fraude em licitações: Manipular o processo de licitação pública.
Manipulação de contas: Falsificar documentos ou registros para encobrir atos corruptos.
Obstrução de investigações: Dificultar ou impedir a investigação de atos corruptos.
Isso porque essas práticas não apenas implicam na ética da empresa, mas também colocam em risco a confiança pública nas instituições.
Veja também: Entenda o que é Know Your Partner (KYP) e como ele pode ajudar sua empresa
O Decreto 11.129/22 é um regulamento que detalha a aplicação da Lei Anticorrupção, especificando os passos para a investigação e sanção de empresas envolvidas em práticas corruptas. Nesse sentido, este decreto cumpre um papel crucial para garantir que a lei seja aplicada de maneira adequada, proporcionando objetividade sobre os processos e responsabilidades envolvidos.
Leia também: LGPD no mercado financeiro
As sanções previstas pela Lei Anticorrupção são bem severas e desenhadas para desincentivar práticas corruptas e promover um ambiente de negócios mais íntegro. Veja as principais!
Podem chegar a até 20% do faturamento bruto anual da empresa.
Isto é, tornar pública a decisão condenatória, causando riscos reputacionais.
Isso significa que as empresas condenadas podem ser proibidas de participar de licitações públicas por um determinado período.
A Lei Anticorrupção está ligada aos programas de compliance. Isso porque o programa de compliance pode ajudar a prevenir atos corruptos, identificar violações e mitigar riscos.
Sob essa visão, empresas com compliance eficientes podem ter suas penalidades reduzidas em caso de infrações, desde que demonstrem cooperação e interesse para corrigir práticas ilícitas.
Além disso, um programa de compliance estruturado é capaz de prever riscos de vulnerabilidade à legislação. Assim, antes que ocorra algum acontecimento grave, os responsáveis podem identificar e solucionar os problemas de corrupção encontrados.
O Acordo de Leniência é uma ferramenta que permite a redução de penalidades para empresas que colaborarem com as investigações. Para se qualificar para um acordo de leniência, a empresa deve admitir sua participação em atos corruptos e fornecer informações que ajudem a identificar outros envolvidos.
Ou seja, funciona como um “acordo de delação” para empresas. Isso incentiva a cooperação em troca de sanções mais leves.
Confira também: Sanções Internacionais: O que você precisa saber
O impacto da Lei Anticorrupção nas empresas é significativo. As organizações precisam adotar medidas preventivas rigorosas, como programas de compliance, para evitar práticas corruptas. Além disso, a lei trouxe uma maior conscientização sobre a importância da ética nos negócios, incentivando empresas a manterem altos padrões de integridade.
Vários agentes estão envolvidos na aplicação e cumprimento da Lei Anticorrupção. Confira os principais agentes:
Devem implementar programas de compliance e garantir a conformidade com a lei.
Responsáveis por investigar e sancionar práticas corruptas.
Ajudam as empresas a identificar riscos e desenvolver medidas preventivas.

Os procedimentos de investigação sob a Lei Anticorrupção incluem várias etapas importantes. Primeiramente, há a coleta de evidências, que envolve a reunião de documentos, testemunhos e outros materiais relevantes para a investigação.
Além disso, são realizadas auditorias internas, que podem ser conduzidas tanto pelas próprias empresas quanto por auditores externos contratados para garantir imparcialidade e rigor.
Outro aspecto fundamental é a colaboração com as autoridades, onde as empresas são incentivadas a cooperar plenamente com as investigações em andamento, o que pode resultar na mitigação de penalidades caso a colaboração seja considerada significativa.
Esses procedimentos são essenciais para garantir que a investigação seja minuciosa e justa, estabelecendo uma base sólida para a aplicação eficaz da lei.
Comparada a outras legislações internacionais, a Lei Anticorrupção brasileira tem semelhanças com o FCPA dos Estados Unidos e o UK Bribery Act. Todas essas leis buscam responsabilizar empresas por práticas corruptas, mas há diferenças nas sanções e nos mecanismos de aplicação.
Por exemplo, enquanto o FCPA foca em subornos a autoridades estrangeiras, a Lei Anticorrupção brasileira abrange uma gama mais ampla de condutas ilícitas.
A Lei Anticorrupção representa um avanço significativo na luta contra a corrupção no Brasil. Sua aplicação rigorosa e a exigência de programas de compliance robustos mostram que o país está comprometido em promover a integridade e a transparência nos negócios.
Assim, fica claro que, para as empresas, a conformidade não é apenas uma obrigação legal, mas uma oportunidade de construir uma reputação melhor e aumentar a confiança do mercado.
Quer conhecer outras legislações como essa e manter a conformidade? Acompanhe nossos conteúdos e visite nosso site!
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Maria Eduarda
Especialista em Produção de Conteúdo sobre Gestão de Riscos na BGC Brasil e estudante de Comunicação Social em Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
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